Ser antisocial

Taí um assunto sobre o qual sempre quis escrever aqui. Vinha adiando há algum tempo, fosse por falta de disposição, fosse por não querer assumir o deprimente estado em que me encontro. Mas hoje, após mais uma quarta insosso e monótono, fez-se o momento ideal pra dissertar sobre tal.

O dicionário filip  define “antisocial” como alguém contrário à ordem social. Ele é meio burro mesmo, só presta pra verificar a escrita correta das palavras; citei a explanação do primo pobre (e burro) do Houaiss a fim de exemplificar o quão difícil é definir o que é ser antisocial. Não se trata de algo evidente, como uma doença, nem mesmo um estado emocional, como a alegria, muito menos algo concreto, como… como uma maçã (!?). A melhor explicação que tenho comigo é que ser antisocial é um estilo de vida.

O sintoma inicial é um só: indisposição para ir a lugares com muita gente, o que invariavelmente faz da pessoa uma caseira convicta. Com o tempo, essa indisposição meio que caleja, passa a ser algo normal, inerente à pessoa. Passando para este estágio, traz inúmeros efeitos colaterais. A dificuldade na socialização é o principal deles; é estranho dizer isso, mas a pessoa parece perder o jeito de se relacionar. Não é como andar de bicicleta, é mais, bem mais complexo que isso. E esse bloqueio vale para todos os graus do relacionameto inter-humano, desde cumprimentos cordiais a desconhecidos, até o mais sublime dos sentimentos, o amor. Na seqüência, vem uma preguiça besta, acompanhada de mudanças de humor. Ora feliz, ora melancólico, o termômetro do estado de espírito fica louco, oscilando constantemente. Parece-me que quanto maior o isolamento do cidadão, mais o ponteiro tende à tristeza, enfim. Há uma coisa boa nisso tudo: uma dedicação exagerada à determinada coisa, que a partir de então, é feita com extremo esmero e excelência. Às vezes nem tanto assim, mas a intenção de quem sofre de anti-socialidade é sempre a melhor possível.

Antes que faça julgamentos equivocados, o antisocial, em regra, não é chato, nem maluco, muito menos bobo. Esses rótulos nada têm a ver com o fato da anti-socialidade, são coisas paralelas. Da mesma maneira que há os extrovertidos inconvenientes e os legais, existem antisociais chatos e bacanas.

Não me incomodo de ser assim, caso me importasse, já estaria maluca à esta altura. É normal, ora, me sinto bem assim, e é isso que importa. Mas as conseqüências que a anti-socialidade implicam são difíceis de suportar. Bom seria se eu achasse graça em sair no sábado à noite, numa danceteria qualquer, beber até cair, beijar ums cinco homems cujas quais eu sequer sei o nome, chegar em casa às seis da manhã e dormir o domingo inteiro. Mas não, acho isso uma tremenda idiotice, e o pior é que atualmente não há nada que eu faça que supra essa lacuna de divertimento.

Acho que antisocial se dá bem com antisocial. Ou pelo menos com pessoas que tenham resquícios de anti-socialidade em sua personalidade. Agora, alguém conhece uma homem bonito, legal, inteligente e antisocial? Eu também não, e é aí que reside o problema-mor de ser assim. A falta de uma companheiro é o que mais incomoda, sem dúvida. Eu admito, me dou por vencida. É a realidade, e com ela ninguém pode.

 

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